Começar

Vultos se moviam na neblina em sua direção, nada se entendia, pouco se enxergava. O véu da noite se estendia sobre todos os seres ali presentes, a sensação sufocante de viver esse momento era derradeira.

As criaturas rastejavam lentamente, em um ritmo animalesco, com foco em seu alvo, não vão nunca desviar. Sombras aterrorizantes por todos os lados, o cercando, o observando, logo o consumirão. Aqui jaz tudo aquilo que poderia ter sido, reflexos de uma verdade nunca encontrada antes.

Poderia fugir de si mesmo? Ou estaria fadado a ir de encontro com sua pior realidade? O universo parecia estar lhe pregando uma peça.

Olhar ofuscado, visão turva. Entrelaçado nesse momento que parecia nunca acabar, o fim próximo de alguém que já foi até aqui. A esperança dissipada de um vulto seu, as criaturas desconhecidas que faziam parte de si mesmo. Quando tudo colidisse, seria então sem volta, um só?

Nada conseguia fazer, se deixou ser abraçado pelas sombras da noite, horrores noturnos nunca vistos antes, consumindo tudo até que nada mais restasse.

Seu último desejo era que o sol raiasse, antes que não houvesse nada mais em que a luz pudesse tocar.