Começar

Jogado no chão eu sentia meu rosto arder, cada dedo de sua mão latejando contra meu rosto, como fogo ardente, que queimava junto com tudo que você já foi pra mim. O chão gelado era o contraste cruel do que você um dia mostrou ser, trazendo a frieza que você realmente é.

Paralisado nessa situação, sem forças para me mover eu só conseguia pensar onde eu estava, esse corpo despedaçado que desmoronou com tudo ao meu redor não era eu, onde eu fui parar esse tempo todo, aceitando pequenas agressões, mascaradas de uma mera fantasia sexual. Quando por trás de tudo isso, era você e somente você, em sua essência, uma maldade reprimida que só precisava ser libertada.

Eu não imaginava, quanto o amor poderia se transformar e aos poucos consumir, totalmente, até que sua humanidade tivesse sido arrancada de você, de forma que ela parecesse nunca mais poder voltar, distante e inalcançável, intangível, inexistente…

E se me machucar te ajuda a se amar mais, bata mais forte, me mostre seu pior, porque em mim não resta mais nada, além da sombra do que um dia eu fui.

Imortalizado em minha mente como uma cicatriz que nunca vai sumir, eu me lembro de como me senti, eu me lembro de como me fez sentir. Demorei muito tempo para não estar mais ali, gelado e queimando, sem nada mais para oferecer, sem amor-próprio para me dar.

Mas não demorou muito tempo, depois de me levantar, para entender que seu ódio era seu, ela não me pertencia, não era meu para carregar. E quando todo seu peso ficou para trás, eu pude voar.

Então me odeie e continue me odiando, o mais intenso que você puder, o mais profundo que conseguir, se aprofunde dentro de si, e assim se perca em você mesmo, lentamente, até que não exista mais. Eu seguirei me amando, e me encontrarei inúmeras vezes até que a lembrança de você não seja mais que uma mera fantasia.