Começar

Acho que toquei em uma melancolia tão profunda que sinto que vai me acompanhar pelo resto de meus dias, porque a verdade é que ela sempre esteve aqui, eu só não tinha compreendido o que ela significava. Há anos eu escrevo, e agora revisito as várias vezes que eu escrevi: “sinto que não pertencia”, e naqueles momentos, eu não entendia.

Não me entenda mal, não acredito que essa melancolia que vai se estender pelo resto de meus dias me impeça de ser feliz ou encontrar novamente a paz. Só parece significar que eu sempre vou olhar pro mundo com um certo pesar. Gosto muito de ser inspiração para as pessoas, mas hoje acho que busco encontrar inspiração em alguma coisa, porque agora quando olho ao redor, não encontro motivações.

“Acene um adeus para o seu dia perfeito, porque o mundo está em chamas.”

Enquanto essa música toca em minha mente como uma verdade cruel da realidade, eu não sei mais o que fazer. Não encontro em volta o que você tem e reverbera com quem sou com tanta intensidade.

Me sinto frustrado, com raiva, indignado. Como pode existir algo que ressoe tanto comigo e ainda assim seja tão intangível? Se for pra em algum momento acontecer, porque não acontece agora?

A vida é tão cruel assim a ponto de nada disso importar? O que realmente importa? Busco constantemente sentido nas coisas para que assim, com uma perspectiva do futuro, eu possa ter esperanças e motivos para continuar. Me recuso a me render, a desistir, no entanto, tenho tido uma grande dificuldade de encontrar como seguir.

A instabilidade de minha mente me leva pra esses lugares utópicos que me imagino vivendo, que penso que preciso tentar, que me obrigo a ultrapassar. Que inspiração poderia oferecer ao mundo essa pessoa que não acredita mais que é possível?

A melancolia se fez uma grande companheira, me mostrando depois de tantos pensamentos que a empatia, a preocupação e a unidade que existe tão intrinsecamente no universo, não pertence aos humanos. Nossos corações aflitos que buscam encontrar motivo na imensidão inexplicável dos cosmos talvez nunca serão contemplados com a verdade do que tem por trás de tudo isso.

Depois de inspirar tantas aflições, eu clamo, eu grito e eu choro por alguém que possa me inspirar também. Estou sufocado, observando todos viverem em uma inércia constante da vida que o humano criou para todos nós. E me despeço, com tamanha tristeza e incompreensão, da esperança de que um dia nós aprenderíamos a nos conectar entre nós o suficiente para conseguirmos estender a mão àqueles que estão em queda livre.

Enquanto a humanidade foca sua busca pela solitude, pelo amor próprio, se vangloriam de suas individualidades e se cercam de concreto, a natureza não existe sozinha, os planetas dançam entre si e o universo abraça todas as suas galáxias.

E eu me sinto só.

Um grão de areia.

Um nada.

Eu não pertenço.