Começar

Gabriela estava na padaria e contemplava aquele sonho com tamanha exasperação, suas papilas gustativas sentiam o gosto daquilo que, em breve, estariam em contato com sua boca. O desejo era iminente, a vontade era incontrolável e quando a explosão de sabores explodiu em sua boca, o prazer era presente, como nada mais poderia ser.

João dançava no ritmo da música no meio da multidão, uma pessoa se aproximou e lhe ofereceu aquele artifício que constantemente ele utilizava para se sentir mais extasiado ainda nesse lugar, ele não poderia negar, era prazer e mais nada. Quando se deslocava para longe da realidade cruel, ele se encontrava consigo mesmo, sem julgamentos, só ele e essa sensação.

Carmela esperava sua paixão na saída do metrô, com bastante ansiedade seus pés não paravam de batucar o solo, não aguentava de vontade de abraçá-lo, essa emoção era um desejo que não poderia ser contido dentro de si mesma. Quando ele chegou, os olhos de Carmela brilhavam, seu sorriso se estampava no rosto e era nítido como poder externalizar essas emoções era o maior prazer que ela poderia sentir agora, ninguém mais importava.

Luís terminava seu show de dança com uma reverência exagerada, totalmente ofegante e satisfeito em ter dado seu melhor. Que satisfação sentia quando olhava o público gritar e aplaudir sua apresentação, tinha vontade de pular e gritar de tanta felicidade. Ele conseguiu. Depois de tanto esforço e dedicação, este momento estava marcado em sua mente até o fim de seus dias.

Aline estava deitada na sala de parto, o cansaço de ter dado vida a outra vida era totalmente presente, a dor excruciante era indistinguível de qualquer outra coisa, se entregou a esse momento da forma mais visceral e selvagem que é, criar outra vida. A cada contração, sua filha, Anna, estava mais próxima de estar em seus braços, e quando, após o momento mais intenso de sua vida, ela estava finalmente ali, Aline sabia que viveria por ela. Com seus olhos marejados de emoção, sabia que estariam eternamente conectadas.

Jorge tinha acabado de chegar em casa, após um encontro totalmente carnal, ele se sentia em outro planeta. Quando inconscientemente colocou sua mão próxima de suas narinas, notou o prazer do aroma que exalava, o cheiro que ficou em seu corpo de quando havia encontrado aquele homem. Enquanto respirava esse cheiro impregnado em si mesmo, ele transcendia, voltava para aquele momento enquanto seus corpos entrelaçavam, o desejo de possuir e sentir a textura do corpo dele, o gosto de sua boca e o cheiro, ah, o cheiro que ficou e agora está com ele. Só gostaria de viver isso novamente.

Helena soluçava de chorar enquanto sua companheira te abraçava fortemente, ela buscava um resguardo que ninguém mais poderia oferecê-la, ainda assim, sentir a segurança desse abraço, vindo da pessoa que mais amava, era a única coisa que precisava agora. Se entregou, e com o tempo, seu coração desacelerou, sua respiração se tornou menos ofegante e encontrou seu eixo. Só sentia a eterna gratidão de poder desmoronar em seus braços, seu refúgio mais prazeroso.

Caio vibrava quando recebeu a notícia que havia conseguido aquele emprego, nesse momento da sua vida era decisivo que isso desse certo. Ele estava paralisado sem acreditar naquilo, olhava fixamente para a tela de seu celular com o email oficializando esse fato. Se sentia tão eufórico que gostaria de começar agora, dar seu melhor e mostrar que merecia estar ali. Não era algo trivial, era muito importante pra que ele pudesse manter sua vida e conquistar algo melhor. Hoje ele só conseguia sentir essa exasperação.

Anna tinha acabado de voltar para seu país, depois de 1 ano fora ela finalmente veria sua mãe, Aline. Quando saiu da plataforma do avião e avistou ela de longe, só conseguiu sair correndo para seus braços, abraçava ela como se fosse o último momento de sua vida. Não havia saudade tão visceral como a de que sentia agora, ela era parte de seu sangue, era parte de si mesma. Tinha vontade de nunca mais se separarem.

E na nossa individualidade, cada um vive e sente satisfações de forma diferente, muitas vezes na ausência de prazer algum, buscamos um novo. E nessa infinita jornada de encontro aos prazeres, algumas vezes isso tira o melhor de nós e externaliza um lado duvidoso, já outras vezes demonstra a nossa mais verdadeira bondade.

Somos tudo isso, um amontoado de emoções que somente nós sabemos. Não estamos certos ou errados, só estamos buscando nossos eixos para que assim, possamos ficar em paz e ir de encontro à felicidade.

Escute seu coração, não sofra pelo que não te pertence e não se cobre tanto. Também reconsidere a esperança que largou dilacerada no chão atrás de você. Encontre suas formas de conquistar o que você acredita ou deixe ir embora o que não pode conquistar de forma alguma, mas tente com a leveza da pena de um belo pássaro, que deixou para trás um pedaço de si mesmo e ainda assim, continua voando de encontro ao horizonte.