Começar

Dançava em ritmo com o destino, e no badalar do tempo, seguia de olhos fechados.

Passos em compasso, sabendo onde pisar.
Em um movimento harmonia, no outro só pesar.

A incerteza do destino era o próprio presente, que por mais certo que se fizesse, era somente poeira ao vento.

Balançando com o tempo, movimentos calculados.
O vento esvoaçava seus cabelos, à destinos emaranhados.

Fantasias de uma vida que nunca viveu, estavam marcadas em sua mente, e em breve, gravadas em seu corpo.

Um instante que, outrora um lamento inescapável.
Se fez presente agora, como um sonho alcançável.

Alguém que sempre foi, um testemunho para que nunca mais esquecesse quem é.

Presente em sua lúdica individualidade, conseguiu se encontrar.
Uma versão de si mesmo, nunca mais quer se abandonar.

Era como doce, escorrendo de sua boca, um prazer inigualável, sabor irresistível. Talvez uma obsessão.

Um pontinho perdido no universo, uma galáxia inteira dentro de si.
Ainda parava e se questionava, porque estava ali?

O surreal era tentador, a realidade cruel, e no tango de sua mente, se permitia dançar.

Dançava como nunca, suor escorrendo de seu corpo, no êxtase de sua própria biologia, sumia.

Era uma dança consigo mesmo, um tango eterno de uma realidade que ninguém poderia lhe tirar.

Viveu em eterno compasso com sua harmonia, a melodia dançava com seu corpo, o destino seguia seus passos, fez do mundo seu palco, desafiou a realidade.

Dançou o fim dos seus dias como o maior ato de todos os tempos.

Com a paz de ter criado o melhor espetáculo de todos: sua existência.

E até que seu último suspiro lhe permitisse lembrar.

Foi inesquecível.