1 Ato
Agnes Obel - The Curse
Medo de tudo que já foi, do que nunca aconteceu e do que pode acontecer quando finalmente assumir suas falhas. Barreiras que ao serem destruídas ecoam junto do som de sua mente. Ah, doce silêncio, gostaria de abraçá-lo e em seu afago se resguardar.
No irracional do que é sentir, se perde na emoção, impulsos que depois de tomados, se arrepende. Medo do que fez, a palavra dita, o blasfemo relato de uma verdade não contada e quando declarada, um testemunho irrefutável da verdade, nada mais que a verdade.
Cada ação uma consequência e nas inúmeras possibilidades de se dizer ou se calar, não se sabe o que fazer. Histórias e trajetos já passados soam como um eco cruel daquilo que não se sabe se deveria ter feito diferente, mas que gostaria de um outro desfecho. E na incerteza do futuro, o presente se faz, também, incerto. Seja o que for, o agora deveria ser suficiente.
Os pensamentos se deslocam em caminhos tortuosos, não é e nunca foi somente sobre si mesmo, nunca será. Respiração ofegante, olhos marejados. O corpo demonstrava que algo dentro de si, estava em conflito. Um conflito eterno, ou não, afinal a paz já foi presente, mas se demonstrou não ser suficiente.
Estaria em busca de algo que nunca se tem? Estaria contemplando neste momento, algo que não precisava? Será eternamente insatisfeito com o que conquista? Instável, incompreensível. Sente, se perde e desmorona, vai ruir.
Se recompõe, momentaneamente, mas volta a precisar juntar seus pedaços que estão novamente espalhados pelo chão. Com tantas convicções, nada parece permanecer quando a faísca de algo indefinido se acende em seu corpo.
Quer declarar o que sente, mas se arrepende. Um furacão desgovernado, um trator sem freio, atropela e destroça tudo por onde passa. Não se contém, não se controla. Se leva sem destino. Implodindo lentamente.
Foi-se, a tempestade passou agora.
O Sol raiou.
Seu corpo ainda molhado.
Lágrimas sem sentido escorriam por suas bochechas.
Parecia-lhe faltar o ar.
Olhar fixo.
Mente inquieta.
Onde está o sentido?
Não há.
Só há medo.
Medo de afastar.
Tudo aquilo que conquistou.
E está aqui agora.