Começar

Quando ele uiva não há o que me parar, correndo desenfreado ao seu recanto eu me jogo, como se despencasse de um penhasco de olhos fechados e então eu me sinto vivo.

Imaginei que a emoção me tomaria de uma forma diferente, oh doce realidade, me tomou como sempre em um redemoinho de sensações.

Em uma eterna devoção me encontro de frente à esse momento que parece se deslocar pelo horizonte, sem parar.

Não se perdeu nas entrelinhas do tempo, mesmo parecendo estar soterrado pelo passado de um conto inacabado, uma história nunca contada.

Ele, sempre assustado e maravilhoso, uma euforia contida que me desperta mais do que um mero encanto.

Eu, anseiando em saber se nos completamos quanto parecemos, um momento que nunca se realiza.

Doce realidade, talvez se o fauno fosse verdadeiro, esse amor seria possível.

E na fantasia eu me encontro, vagando em um eterno sonho, que nunca passa de ser próximo demais da realidade.

Toda noite quando a melodia toca, o coração bate mais forte e o corpo estremece, ao som se adormece, sonhando sobre um conto de fadas.

Mas a noite acaba, a lua se põe e ele não passa de um lobo, preso em um mundo que somente existe em minha imaginação.

Eu acordo, não posso mais sonhar, bem vindo à realidade.