Começar

Corria mais rápido que podia, para longe de si mesmo.
Chegou tão longe, que não soube mais como voltar.

Ah, saudades do tempo em que se sentia parado em um só lugar.
Sem grandes pensamentos pré-concebidos pra te guiar.

Sentia-se leve, a bagagem o fez pesar.
Cada passo um pensamento, cada gesto uma consideração.

E eles pareciam se multiplicar a cada km que percorria.
Longe, mas presente.

Diga ao seu amor que ele gostaria de ser melhor.
Diga ao mundo que ele tenta.

Mas esses impulsos não te permitem.
E todo esse percurso não te deixa.

Essa vida de obrigações o atormentam.
Essas vozes não param de falar.

Ensandecido e inquieto.
Gostaria de poder parar.

Continua respirando de forma incorreta.
E assim passa o tempo, nada se concretiza.

Se perde nele mesmo.
Mil voltas em torno de si.

Rodopia como o vento, nada se conquista.
Nada permanece, vão pra longe de sua vista.

Ainda quer viver aquilo.
Ainda quer ser melhor.

Os devaneios te enlouqueceram.
A música não para de tocar.

Seu coração sente algo que não se entende.
Sua cabeça não lhe deixa gritar.

Aquela faísca ainda existe.
Em algum canto esquecido de sua mente.

Mas é tudo tão confuso.
Que dentro da sua própria cabeça.
Se sente como um intruso.

Desconhece seu próprio eu.
Perdido nos cantos mais obscuros de seu ser.

Sem saber pra onde ir.
Só continua a caminhar.

Sufocado pelos seus próprios medos.
Não sabe quanto mais pode aguentar.