Alterya - A Clareira

  • Com música
  • 6 Capítulos
  • 10/06/2019

Capítulo 1 - Natureza

play

Ao som de graves trovões, ele corria sem parar pela floresta, seus cabelos prateados escorriam como água pela sua face com a chuva intensa que os céus derrubavam contra à terra.

Não era da tempestade que ele tinha medo, ele a conhecia muito bem. Era do chamado urgente que ela significava, era um sinal, sabia muito bem o que deveria ser feito.

Felanor desviava de grandes troncos derrubados pelos raios, ele podia sentir dentro de sua alma a dor que a natureza estava sentindo. Não conseguia parar de pensar que não chegaria a tempo, ele precisava chegar a tempo! E em meio às suas preocupações, tropeçou em um tronco e bateu sua cabeça. Tentou levantar, mas estava zonzo demais para encontrar seu equilíbrio. Rastejou para se apoiar em uma árvore, encostado nela enquanto se recuperava, sua preocupação só aumentava. Ele sentia que estava falhando miseravelmente.

Naquele momento Felanor recorreu aos seus dons, encostou a palma de sua mão direita no chão e se deixou conectar com o solo. Levou somente alguns instantes até que um raio colidisse com o chão em algum lugar próximo da floresta e ele pudesse se conectar. Enquanto olhava fixamente para a frente, sua visão cessou e seus olhos ficaram totalmente brancos. Nunca soube explicar essa sensação, mas só precisava de um instante para compreender o que queria dizer, ele sentia a raiva, a fúria e o pedido de ajuda tomando conta de seu ser.

A natureza havia concedido à ele forças suficientes para seguir em frente, então se levantou, ainda um pouco zonzo e com sua cabeça latejando fortemente. Começou a recuperar seu fôlego e correr novamente, ele disparou como uma flecha de encontro ao seu alvo.

Quando chegou na clareira, viu o corpo de uma pessoa jogado no chão, não sabia dizer se era uma garota ou um garoto, mas era extremamente belo. Alguns cortes estavam aparentes em seu corpo, mas a chuva havia limpado o sangue que agora restava marcado somente em sua roupa rasgada. Não sabia quem era, só sabia que havia ido ali para lhe salvar.

Felanor se aproximou e encostou no rosto do corpo caído com uma de suas mãos, enquanto a outra palma estava pressionando contra o solo. Ele clamou pela força que ligava ele à natureza, pediu com todo o seu ser que utilizariam dele como um receptáculo para transferir a vida para aquele corpo. Ele sentia a vida transpassar em sua alma, enquanto ele foi se enraizando e seu corpo se tornando de madeira. Nascia ali como um testemunho de sua existência. A vida fluiu pelo seu corpo e saiu até que não restasse mais nada. Se tornou inerte, se transformando em uma árvore humana.

Não sentia mais nada, aos poucos tudo se apagou e ele se deixou cumprir seu propósito. Esperava pelo menos que aquela pessoa deitada no chão, com sua existência clamada com tanta ferocidade pela natureza que o guiava, estivesse a salvo.

Phildel - Strange Inventions

Instrumental

Capítulo 2 - O Despertar

play

“Nory”
Eu ouvia meu nome ecoar no silêncio de meu ser entorpecido por um baque desconhecido. Entre a minha meio inconsciência eu me sentia despertar, sentia um calor que percorria do meu rosto preenchendo todo meu corpo.
Não reconhecia onde estava, a grama estava úmida contra minhas costas. A eterna meia luz da Divisa Arsen estava contra meus olhos, ofuscando minha visão. Eu enxergava uma árvore muito próxima de mim e conforme ficava mais nítida, percebi que ela tinha uma forma humana, nunca havia visto algo assim antes.

Eu estava em uma clareira, aos poucos me levantei e observei a forma que estava em minha frente, com belas folhas prateadas, eu sentia uma admiração curiosa ao apreciá-la. Acariciei seu rosto, mas ela continuava imóvel.
Tentei me lembrar do que havia acontecido, mas só me lembrava de um sussurro assustador repetir diversas vezes “Nory, essa vida não lhe pertence mais”.
No mesmo instante em que lembrei dessas palavras, ouvi o farfalhar das folhas e senti a presença de algo em meio às árvores, como se alguém estivesse me observando. Não sabia se estava delirando, mas a preocupação começou a tomar conta de mim, acariciei o rosto daquela árvore pela última vez, uma despedida.
Me levantei e comecei a caminhar para dentro da floresta. Minha roupa estava molhada e, longe do calor do sol, comecei a tremer com a brisa que passava por entre as árvores da floresta.

“Nory”
Novamente o sussurro, meu corpo estremeceu e um frio no estômago tomou conta de mim. Com a urgência de fugir da floresta eu comecei a correr, percebendo que meu corpo doía, ele tinha diversos cortes. Eles não me impediram de disparar para longe por conta de meu desespero..
Ao longo do caminho notei que diversas árvores estavam caídas no chão, parecia que um furacão havia passado por ali.
No horizonte comecei a avistar a saída da floresta, ofegante comecei a correr mais rápido até que eu já estava cruzando a saída. Repentinamente algo me segurou pelo braço, com o puxão meu corpo se virou para trás com toda força, o que me parou naquele instante foi a mão de uma silhueta humana segurando minha testa.

De repente eu estava em outro lugar, não sei como havia aparecido ali, o céu se fechava com a promessa de uma tempestade. Olhei para trás e estava me observando no horizonte de pé e com o olhar assustado, sangue escorria por todo meu corpo. Havia uma pessoa com o braço estendido e a palma da mão aberta em minha direção. Meu corpo que eu avistava começou a flutuar e a gritar de desespero, exaltando toda a dor que estava sentindo. Então um raio caiu bem na frente da pessoa que me mantinha no ar, vi meu corpo cair inanimado contra o chão com um baque, o estranho ser em minha frente se virou com tom de objetivo cumprido e seguiu seu caminho.

Abruptamente voltei para onde a silhueta negra de um humano me segurava, ele sussurrou com tom de urgência “Agora você se lembra da verdade, suma daqui!” e desapareceu no ar como fumaça deixando um grito que ecoou por longos segundos. Precisei por as mãos nos ouvidos para abafar o som estridente.

Enquanto obedecia à ordem que me foi dada, eu corria sem destino. Aos poucos alguns fragmentos de minhas lembranças começaram a fazer sentido.

Mas nesse momento eu tinha somente uma certeza, naquele dia eu havia morrido.

Coeur de Pirate - Pilgrims On a Long Journey (Child of Light Soundtrack)

Instrumental

Capítulo 3 - O Flautista

play

Ele caminhava se esgueirando entre as sombras das árvores. Ele não gostava daquela meia luz, isso o irritava um pouco! Adorava a noite. Com seus cabelos vermelhos, seu manto preto e seu sorriso lunático, ele caminhava com sua flauta feita de madeira, que sempre carregava em seu cinto, mas, nesse momento, não estava no seu cinto, pois agora estava tocando sua melodia. Não era uma melodia qualquer, tampouco tocava por qualquer motivo. Seus olhos estavam atentos por trás de sua máscara, porém ela não cobria todo seu rosto. Ele lembrava um palhaço, um palhaço muito sádico que estava prestes a aprontar algo.

Será que alguém o ouviria? Era melhor mesmo que o ouvissem! Sua flauta não tocava para o silêncio dos inocentes! Tocava para silenciar esses falsos inocentes que a ouvissem. E eles ouviriam. Ah se ouviriam!

Rupter era seu nome, e hoje Rupter conquistaria seu reconhecimento no meio dos que vivem na sanidade de uma vida insana. Talvez eles não o aplaudiriam, era muito provável que se espantariam. Mas ele não se importava, no final daria um show para todos eles!

Enquanto caminhava, seus olhos rodopiavam pensando em sua melodia, sentindo sua melodia. Seus dedos não paravam, havia fôlego suficiente para horas de música. Seu caminhar era acompanhado de pequenos saltos, no ritmo da melodia. Parecia feliz. Não, não só parecia, estava feliz! Prestes a encantar aquele ser indefinido, aquele ser curioso... Afinal, o que era aquilo? Ah! Não importava o que era!

Seu corpo arfava, isso não afetava sua música, é claro, mas arfava. Estava se aproximando... Estava ansioso, como estava ansioso! A silhueta no horizonte já podia ser avistada. Rupter já reconhecia aquela silhueta, aquele ser estranhamente bonito... Hoje ele reconheceria seu poder! Hoje! Hoje!

Ele sabia seu nome - Nory, um nome tão estranho quanto esse ser era, curioso, engraçado. Nory não se virou enquanto Rupter se aproximava, esse serzinho aprenderia a não ignorar sua música! Não demoraria muito, não... Já devia estar afetando Nory. O ser encontrava-se paralisado, paralisado! Mas seu corpo começou a cambalear com a melodia e Rupter dançava em volta dele, sorridente, lunático, sádico. Queria dizer umas coisas para esse Nory, ou essa Nory, Nory estranho! Mas sabia não poderia parar de tocar. Não agora.

Nory estava em transe, lhe pertencia agora, não tinha mais volta. Era o momento de se sentar no chão, cruzar suas pernas e começar o ritual da lembrança. Rupter começou a pensar em todas coisas que queria que esse Nory pensasse, ficaria tudo rodopiando em sua mente. Rodopiando! Os pensamentos fluíam com o ritmo de sua melodia. Ah, sim! Rupter conseguiu o que queria, Nory não se lembraria de nada, e o que restou eram os pensamentos que Rupter queria que Nory pensasse. Sussurros, sussurros...

A melodia havia acabado, junto de seu ritual, Rupter se levantou. Um homem saiu do meio das árvores e disse para ele “Muito bem, Rupter”. Rupter não conseguia conter suas gargalhadas, era tanta felicidade! Com seus olhos bem abertos, feliz por ter tocado sua música. Parou com os pés juntos e fez uma reverência exagerada, digna de sua apresentação, encerrando seu show.

Rupter partiu. Dessa vez a sua flauta de madeira que estava em seus lábios, não estava mais, pois havia voltado para o seu cinto. Ele caminhava mais sério, como se fosse dono daquela floresta. Gargalhando! gargalhando...

Mani Beats - Sea of Clouds

Instrumental

Capítulo 4 - Uma Despedida

play

Ao caminhar adentro das árvores da floresta, meus olhos começavam a lacrimejar. Eu e Trist nos encontraríamos na clareira, aquele lugar que havia imortalizado tantos momentos. Me lembro de todos eles, alguns mais vívidos em minha memória, resguardados em seu lugar especial.

Quando cheguei perto da clareira, avistei Trist que me esperava apoiando-se em uma árvore. “Nory”, me disse, com seu sorriso gentil. Seu rosto trazia uma melancolia que foi difícil de se contemplar. Continuei me aproximando, meus dedos encostaram em seu rosto lentamente enquanto seus olhos se fechavam, era uma despedida silenciosa. Nossos rostos se aproximaram um do outro, até nossos lábios se encontrarem, naquele beijo havia o pesar das encruzilhadas do tempo, nos separando.

Paramos de nos beijar e nos olhamos, nos apreciamos por alguns instantes, até que o silencio foi quebrado por Trist. Me disse que embora não pudéssemos continuar nossa história, estaríamos sempre presentes dentro um do outro, sempre conseguimos nos sentir à distância e precisamos lutar para que essa ligação da nossa raça não seja quebrada.

Trist continuou “Nory, você deve cruzar a floresta e procurar por Aloriter, o mago da luminescência. Enquanto eu vou em busca do conhecimento sobre a Renascença. Os insídios estão realizando rituais para acabar com nossas ligações. Não podemos mais viver indiferentes ao que está acontecendo.”

Acenei com minha cabeça uma afirmação, enquanto uma lágrima escorria de meus olhos. As palavras estavam presas dentro de meu coração, eu olhava fixamente para Trist, quase não conseguia piscar. Eu queria vislumbrar aquele momento até seu último instante. Trist me sentia e não havia necessidade de muitos diálogos, e antes de partir, encostou sua mão em meu peito. Novamente destacando em seu rosto aquele sorriso gentil, de alguma forma demonstrando que nos pertencíamos.

Eu não conseguia me mover, parecia que o tempo havia congelado. Eu estava totalmente entregue à essa emoção, uma parte do mundo havia perdido o sentido, um fragmento da minha alma havia se despedaçado. Eu sabia que precisava sair dali, não era seguro ficar na floresta.

Depois de muito prolongar minha partida, eu havia conseguido juntar forças para seguir em frente. Percebi que eu não conseguia mover meu corpo, havia alguma melodia em minha mente que eu não tinha notado sua presença. Uma pessoa de flauta, mascarada, apareceu em minha frente, ele parecia feliz e insano, tocando e dançando em volta de mim. Me senti entorpecer, as coisas não faziam mais sentido, não faziam desde que Trist havia ido embora. Será esse o longo abraço da eternidade me levando para outro mundo? Ele parecia carinhoso, eu não sentia dor, só paz, talvez fosse melhor assim. E enquanto tudo se apagava, se tornando um grande vácuo escuro, eu só conseguia aceitar o meu destino.

Secession Studios - Piano Quartet

Instrumental

Capítulo 5 - Ritual da Terra

play

Divisa Arsen – 262 Ciclos Após a Renascença

De alguma forma a floresta estava encoberta por trevas, sua meia luz não era mais a mesma, havia algo obscuro no ar. Os tambores podiam ser ouvidos de longe, sua vibração se deslocava com o vento, que agora estava furioso. A Natureza não parecia estar conivente com isso. Havia um círculo de dez pessoas que estavam com suas mãos estendidas para o companheiro ao seu lado, com suas palmas abertas e voltadas para cima, quase que encostando umas nas outras. Seus cabelos brancos esvoaçavam com a ventania e todos estavam com seus rostos virados para o céu, de olhos fechados. Suas longas túnicas vermelhas não paravam em seus corpos, também inquietas pelo vento aborrecido. Dentro do círculo haviam cinco fogueiras, cada uma posicionada em cima de marcações brancas na terra. Mas o vento não era suficiente para apagá-las, que crepitavam com ferocidade. Os rituais eram pronunciados em harmonia com a melodia dos tambores. Eles eram tocados por seres escondidos em meio às sombras das árvores.

Todos continuavam sem parar, não havia uma pausa nos dizeres que sussurravam, estavam devotos ao seu propósito. As chamas das cinco fogueiras começaram a diminuir, como se a terra as tivesse absorvendo, transformando a terra marrom, em um tom avermelhado. Os longos cabelos brancos começaram a ser manchados por um vermelho negro de forma irregular. Quando todas chamas haviam se apagado, a terra avermelhada no meio do ritual estava emergindo do solo, tomando uma forma humana. As pessoas agora abriram seus olhos amarelos e olhavam fixamente para a forma humana feita de terra. Ainda com os braços estendidos para seus companheiros, suas palmas agora estavam voltadas para o centro do círculo.

Aos poucos a forma se tornava mais humana, aos poucos ele se tornava um homem. E suas primeiras palavras após seu nascimento foram “Do Barro. Do Chão. Da Terra. Aqui nasce a era dos Insídios. Eu sou Nefar, e trarei o poder da ordem.”. Os tambores cessaram e as criaturas sumiram no meio da noite. E com uma reverência de todos os dez desconhecidos, eles se viraram em uma bela sincronia e começaram a seguir seu caminho, como se cada um deles pertencessem aos dez cantos de Alterya.

O corpo de Nefar já estava igual ao de um humano nu, sujo de terra, ele era forte e alto, não tinha cabelos, em seu rosto havia um olhar destemido, prestes a derrubar todos os reinos que Alterya já havia conhecido. Ele aprenderia os segredos do mundo, ele invocaria seus irmãos do barro, Nefar havia nascido destinado ao seu futuro glorioso, Alterya precisava de equilíbrio, de salvação, Alterya precisava de Nefar.

E naquela clareira, no meio da floresta da Divisa Arsen, uma nova raça havia nascido pelas mãos dos dez desconhecidos.

Danheim - Gripir

Instrumental

Capítulo 6 - Violência

play

Nefar ouvia o som da flauta de longe, uma canção instigante que acomodava seus ouvidos, preenchia sua alma e trazia uma paz curiosa. Não era somente uma flauta, ele ouvia outros sons que desconhecia. Nefar ainda não conhecia muito sobre Alterya. Tinha vivido apenas alguns ciclos após sua criação. Ele apreciava cada novo conhecimento com tamanha preciosidade.

Ele estava em Auzmen, que pairava sobre sua eterna penumbra. De longe avistou diversas silhuetas dançando contra a luz de uma fogueira naquele pequeno vilarejo. Estava receoso de como as pessoas reagiriam se o avistassem. Nefar nunca foi recebido sem espanto, o consideravam uma figura imponente e de certa forma, assustador.

A musica continuava a tocar, pareciam celebrar algo com grande alegria. Nefar nunca tinha vivenciado isso em sua vida, mas de alguma forma sentiu que gostaria de pertencer àquele lugar, era tão bonito e majestoso. Se encostou em uma árvore observando de longe, tentando de alguma forma ter coragem de se aproximar, não queria estragar o momento daqueles estranhos. Parecia glorioso demais para ser interrompido.

Conforme olhava entre as árvores, ele percebeu o motivo de tanta festividade. Uma criança havia nascido e eles estavam celebrando essa nova vida. Nefar gostaria que seu nascimento tivesse sido tão encantador como esse. A música continuava e se estendia pelo véu da noite, como um feitiço que traria somente um grande conforto para aquele vilarejo.

O que aconteceu nos próximos segundos, Nefar nunca conseguiu explicar, sua mente nunca conseguiu reproduzir novamente tamanha atrocidade. O véu escuro da noite foi quase extinguido com a luz que era desferida contra os moradores daquele vilarejo. Um a um eles cairam por essas luzes que tiravam a vida de seus corpos. O que Nefar nunca esqueceu foi a aparência desses blasfêmios que trouxeram somente desgraça para as pessoas que estavam celebrando a vida.

Tudo terminou tão rapido quanto começou, aquelas pessoas, que se pareciam com algo que nunca tinha visto, mas muito belo, começaram a partir. Nefar paralisou por um longo tempo, ainda estava perplexo com toda violência que nunca tinha visto desde sua criação. Foi então que seguiu para o vilarejo, extremamente impressionado que não pouparam nem a criança que havia nascido naquela noite, ele sentia seu estomago revirar.

Depois de caminhar entre os corpos e os destroços, ele encontrou um garotinho. Um rosto que demonstrava somente pavor e medo. Nefar não se aproximou muito do garoto, com medo de assustá-lo, simplesmente se ajoelhou na frente dele. Enquanto lágrimas escorriam de seu rosto, Nefar disse “me desculpe, não pude fazer nada para ajudar, me desculpe pequenino”.

O garoto pareceu se sentir mais confiante e se levantou, mesmo com medo e correu para dar um abraço em Nefar, procurando uma proteção que ninguém mais ali poderia lhe dar. Nesse momento, Nefar percebeu o que precisava fazer, entendeu seu propósito nesse mundo e jurou vingança sobre aqueles que não preservavam a vida, agora ele sabia como conquistar o equilibrio que o mundo precisava. E da terra Nefar criou seus seguidores, assim como foi criado. Dentro de si mesmo ele sabia como realizar o ritual para isso. Em meio à tanta morte, começaria a vida.

Nefar olhou para o garoto e disse “A partir de hoje, faremos um mundo melhor pequenino, meu nome é Nefar e cuidaremos de você”.

O garoto, ainda assustado e com uma expressão um pouco lunática em seu rosto, apenas acenou uma afirmação em meio às lágrimas que ainda escorriam e respondeu “Meu nome é Rupter”. Rupter caminhou para um dos corpos inanimados no chão, pegou uma máscara rachada e colocou transpassando em seu pequeno corpo. De seu bolso ele tirou uma flauta, começou a tocar uma melodia que soava como uma despedida, mas com o peso de um doloroso recomeço.

Nefar terminou de contar sua história e se virou para Nory, que estava imóvel em sua frente – “Foi assim que sua raça exterminou pessoas inocentes, e começando por você, devolverei toda essa violência”. Nefar estendeu sua mão direita com sua palma virada para frente, Nory começou a flutuar no ar, gritando. Nefar pronunciou um encantamento, um raio caiu entre os dois no mesmo instante e o corpo de Nory caiu no chão sem vida. Então Nefar se virou e seguiu seu caminho, em busca do equilíbrio que ninguém mais poderia trazer à Alterya.

Loreena McKennitt - Manx Ayre

Instrumental